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Porto Velho/RO - Quinta-feira, 17 de abril de 2014

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Postada: 22/09/09 - 16:18

O setor financeiro e as finanças sustentáveis

O comprometimento com as futuras gerações e a segurança na viabilização dos negócios acabou induzindo o mundo das finanças a pensar e agir de forma sustentável. As consequências são vistas nas operações dentro do mercado e em terceiros, como no setor produtivo, uma vez que estimula ações pró-ativas nas cadeias setoriais
Já não é de hoje que a discussão em torno da inegável relevância da aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável está em pauta dentro do ambiente empresarial. Cada vez mais empresas se conscientizam que agir com responsabilidade ambiental e comprometimento social deve fazer parte de seus planos estratégicos e práticas diárias de seu negócio, deixando de lado a ultrapassada idéia de que a preocupação com o meio ambiente é um custo a ser evitado. Ultimamente, questões sociais e passivos ambientais passaram a ser encarados como um importante fator de risco a ser administrado e solucionado, ou até mesmo uma ótima oportunidade de negócio.
A busca pela sustentabilidade nos negócios passa, também, pelo setor financeiro. Com o conhecimento e os incentivos corretos, as instituições financeiras podem desempenhar um papel decisivo na promoção da melhoria da qualidade socioambiental. Isso se dá não apenas em função da importância dos ativos financeiros na atividade econômica, mas, também, em decorrência da necessidade de se proteger dos crescentes riscos financeiros, além de legais e de reputação, causados por práticas sociais e ambientais inadequadas. Esse engajamento do setor financeiro é conhecido como finanças sustentáveis. De acordo com alguns estudiosos, o termo não surgiu a partir de uma abordagem teórica específica, mas de uma espécie de batismo de mercado. Qualquer menção ao binômio sustentabilidade-mercado financeiro acaba por remeter às finanças sustentáveis.
Em um artigo produzido por Renata Brito, doutoranda da FGV-Eaesp – Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e Pesquisadora do CES – Centro de Estudos em Sustentabilidade, e por Lauro Gonzalez, professor do Departamento de Finanças da FGV-Eaesp e coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças, é destacado que o termo finanças sustentáveis pode ser definido como a efetiva utilização de variáveis relacionadas à sustentabilidade nos processos decisórios do mercado financeiro. Segundo os autores, em um exemplo trivial, um banco pode negar crédito a uma empresa cujas práticas de negócio causem danos ao meio ambiente, ou seja, o banco levou em consideração uma variável nitidamente associada à sustentabilidade em meio ao seu processo decisório de crédito.
Este conceito ou prática sintetiza a junção de duas idéias de crescente força nos últimos 30 anos. A primeira diz respeito ao papel do setor financeiro em financiar o desenvolvimento econômico. Já a segunda traz à tona a preocupação da sociedade com a escassez de recursos naturais e os impactos sociais do crescimento econômico. Entretanto, somente no final da década de 90 o conceito de desenvolvimento sustentável chega à agenda das instituições financeiras.
Início das discussões – Os principais estudos sobre esta prática indicam que na década de 60 inicia-se o movimento de uso do poder fiduciário e a forma de alocação de capital como ativismo dos valores e ideais éticos dos investidores. É o que hoje conhecemos como SRI Socially Responsible Investing, ou Investimentos Socialmente Responsáveis, e que começa com fundos de investimentos ligados a organizações religiosas.
Já na década de 90, as instituições financeiras, sobretudo os bancos, começaram a ser pressionadas pela sociedade civil organizada em campanhas massivas sobre a responsabilidade do credor pela forma de uso e aplicação dos recursos financeiros. Campanhas como a deflagrada pela Rainforest Alliance, nos Estados Unidos, e Milieudefensie, na Holanda, chamavam os depositantes a questionar seus bancos sobre a forma de aplicação dos recursos e a fechar a conta bancária ou cortar o cartão de crédito em repúdio à forma de gestão dos bancos.
Essa manifestação indicava que a sociedade estava questionando as bases da prática de intermediação financeira. Em resposta a essa pressão surgiu o Tratado dos Princípios do Equador, no ano de 2003, que preconiza uma minuciosa análise socioambiental, seguindo parâmetros do IFC – International Finance Corporation, braço financeiro do Banco Mundial, para operações de “Project Finance”, uma estruturação financeira visando a viabilizar um determinado projeto de investimento.
Patricia Berardi, pesquisadora do CES – Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, enfatiza que a discussão efetiva iniciou-se em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, no qual discutiram a diferença entre crescimento e desenvolvimento e o conceito de desenvolvimento sustentável foi definido. “As ONGs tiveram um papel fundamental na conscientização da opinião pública e dos atores do mercado financeiro sobre a relevância da prática das finanças sustentáveis. Os bancos seriam os principais financiadores do crescimento econômico mundial de forma indiscriminada em relação às questões socioambientais”, lembra Patricia. Segundo ela, depois do esforço pela conscientização socioambiental, as instituições financeiras perceberam que se o cliente, o que recebeu financiamento, apoio para seu empreendimento, é punido, multado por ter causado danos socioambientais, a instituição diretamente terá prejuízo, uma vez que não terá como honrar a dívida do financiamento e, mais do que isso, o nome do financiador estará direto ou indiretamente atrelado à reputação prejudicada do cliente. “Nesse sentido, os Princípios do Equador foram a primeira tentativa de fazer negócios, especificamente no caso dos bancos, atrelando as questões ambientais. Foi o primeiro movimento de engajamento das instituições financeiras com os impactos que suas ações podem gerar”, acrescenta Patrícia.
É possível, então, entender que finança sustentável diz respeito à atuação do sistema financeiro de forma economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta. Ou seja, preconiza que a aplicação dos recursos financeiros esteja alinhada aos princípios de desenvolvimento sustentável.
Setor produtivo – No final da década de 90, aumenta a pressão da sociedade civil através de campanhas massivas sobre a responsabilidade do credor pela forma de uso e aplicação dos recursos financeiros. Ciente do poder fiduciário dos investidores e financiadores nas estratégias das empresas, a sociedade civil organizada passou a pressionar, cobrando a responsabilização dos acionistas pelos impactos socioambientais das empresas. Ao investir ou financiar empreendimentos para o setor produtivo, o mercado financeiro tornou-se, então, corresponsável pelos seus impactos gerados, ainda que não legalmente imputável na maior parte dos países, mas, moralmente responsabilizado pelos impactos daquilo que o capital produzia de externalidades negativas para a sociedade.
As instituições financeiras podem e devem desempenhar um papel positivo no avanço da sustentabilidade socioambiental. “Estar em consonância com o conceito de desenvolvimento sustentável em suas operações pode, inclusive, ser indutor de ações socioambientais do cliente. Além do mais, as diretrizes envolvidas na liberação de crédito exigem compromisso socioambiental prévio do credor e uma análise criteriosa dos possíveis impactos gerados pela atividade”, comenta Patrícia.
Sérgio Rosa, presidente da Previ – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, também considera que é totalmente possível que as instituições financeiras estimulem ações em prol da sustentabilidade. “Em nosso caso, constata-se, por exemplo, que após alguns estímulos diretos, as adesões ao PRI – Principles for Responsible Investment crescem; empresas ingressam no Pacto Global; adotam relatórios, como o GRI – Global Reporting Initiative para divulgação de suas realidades e práticas relativas à sustentabilidade, entre outras iniciativas”, destaca Sérgio.
Márcio Costa, da Área de Meio Ambiente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, também acredita que, de um modo geral, o setor financeiro tem todas as condições de fomentar as ações sustentáveis em terceiros, sobretudo quando se trata de indústrias, quando se alia à prática de finanças sustentáveis. E, segundo ele, o BNDES tem ainda mais responsabilidade de indução por ser um banco de desenvolvimento. Essa foi uma das razões da instituição ter ampliado recentemente seu setor de meio ambiente. “Em 2009 a parte de meio ambiente do BNDES passou por uma reestruturação e o Departamento se transformou em Área de Meio Ambiente, o que resultou, em especial, no ganho de funcionários e em mais dois departamentos operacionais”, conta Costa. Ele explica que essa mudança irá resultar no aumento da capacidade de avaliação dos projetos, aprovação e liberação de financiamentos, entre outros fatores. “Ganhamos em qualidade, critério e agilidade. Isso veio coroar a preocupação que este tema tem dentro da instituição”, acrescenta Costa.

As ferramentas

Alguns elementos auxiliam na incorporação do pensamento de sustentabilidade entre os principais atores financeiros. Essas ferramentas têm em comum o fato de buscar um comportamento mais adequado do empresário

Quando se fala em finanças sustentáveis, alguns outros temas estão sempre atrelados e associados, como é o caso dos Princípios do Equador, investimentos SRI, PRI, microfinanças e outros. Para entender melhor, é como se os temas associados fossem algumas das ferramentas, ou elementos, da prática de uma finança sustentável. Patricia, da FGV, ressalta que o tema é muito mais amplo e não pode se limitar apenas a esses instrumentos de ação. “Finanças sustentáveis são uma prática, um conceito envolvendo o operacional do mercado financeiro como um todo, de forma sustentável, com responsabilidade, mas sempre vinculando ao seu negócio”, explica Patricia.

Princípios do Equador – Os Princípios do Equador formam um conjunto de critérios e diretrizes estabelecido pela IFC, que devem ser seguidos pelos bancos signatários no processo de avaliação dos impactos socioambientais referentes às solicitações de crédito para projetos corporativos novos ou em fase de expansão, com valor total igual ou acima de US$ 10 milhões. Para serem aprovados é necessário que os projetos cumpram determinadas regras, levando em conta, entre outras variáveis: a avaliação do impacto sobre o meio ambiente; a exigência de alguma forma de compensação para populações afetadas por um empreendimento, a construção de uma hidrelétrica, por exemplo; a proteção a comunidades indígenas; e a proibição de financiamento que apresente riscos de utilização de trabalho infantil ou escravo. Portanto, somente deve ser concedido empréstimo aos projetos que possuam plano de gestão socioambiental, com foco na mitigação, planos de ação, monitoramento e gerenciamento de riscos e planejamento. O Brasil, até o momento, conta com os seguintes bancos signatários desses princípios: Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco.

PRI – No começo de 2005, Kofi Annan, então secretário-geral das Nações Unidas, convidou um grupo composto pelos maiores investidores institucionais do mundo para fazer parte de um processo, supervisionado pela Iniciativa Financeira do Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pelo Pacto Global das Nações Unidas, de elaboração do PRI. Assim, representantes de 20 investidores institucionais de 12 países concordaram em participar do Grupo Investidor. O Grupo aceitou o desafio de elaborar os princípios, considerando os mais diversos temas emergentes. Os princípios incluem critérios ambientais, sociais e de governança e fornecem um marco para o alcance de melhores retornos de investimentos de longo prazo e mercados mais sustentáveis. A Previ –maior fundo de pensão da América Latina – teve participação ativa na construção e no lançamento do PRI e representa a América Latina no Grupo Executivo da iniciativa. Além de incorporar os princípios às suas atividades, outra ação desenvolvida pela instituição brasileira é a de divulgação permanente do PRI, promovendo a adesão de novos signatários.

No total, são seis os princípios, e cada um inclui algumas recomendações de possíveis ações. São eles:

1- Incluir as questões de ESG – Ambiental, Social e Governança Corporativa nas análises de investimento e nos processos de tomada de decisão;
2- Sermos proprietários ativos e incorporar os temas de ESG nas políticas e práticas de detenção de ativos;
3- Buscar a transparência adequada nas empresas em que investimos quanto às questões de ESG;
4- Promover a aceitação e a implementação dos princípios no conjunto de investidores institucionais;
5- Trabalhar juntos para reforçar nossa eficiência na implementação dos princípios;
6- Divulgar nossas atividades e progressos em relação à implementação dos princípios.

SRI – Os fundos de investimento socialmente responsáveis procuram equilibrar as expectativas financeiras do investidor com o impacto de investimentos no meio social e ambiental. Os fundos SRI são compostos de ações de empresas, selecionadas por obedecerem a algum critério socioambiental estabelecido de forma transparente. Alguns gestores SRI se contentam com a simples exclusão de setores que são, quase sempre, fumo, bebidas alcoólicas, armamentos, pornografia e cassinos, embora haja casos nos quais petróleo, papel e celulose, mineração e até carnes tenham sido excluídos. Há outros fundos que aceitam investir em quase todos os setores, desde que as empresas selecionadas se destaquem pelas melhores práticas ambientais e sociais. Estes fundos procuram analisar políticas gerais da empresa, tais como o relacionamento com o público e com as comunidades locais, assim como as relações de trabalho com funcionários, fornecedores e parceiros. Em se tratando das questões ambientais, os critérios abrangem o desempenho da empresa, baseando-se em indicadores como contribuição ao aquecimento global ou à destruição da camada de ozônio, emissão tóxica, consumo de matérias-primas, energia e água, perfil de seus produtos e qualidade da administração ambiental, entre outros. No Brasil, o movimento é recente, mas avança com velocidade superior a de outros emergentes. Um exemplo é o lançamento, no ano de 2001, do Fundo Ethical, do Banco Real, por meio do ABN Amro Asset Management, primeiro SRI da América Latina.

Ações sustentáveis nas finanças

Nos últimos tempos, diversas entidades ligadas à promoção da sustentabilidade no mundo dos negócios estão empenhadas na aplicação efetiva da prática de finanças sustentáveis

Uma coisa que deve ficar clara é que, ao pensar em finanças sustentáveis, deve-se lembrar que todos os atores do setor financeiro estão incluídos na discussão – não somente os bancos, mas também fundos de pensão, seguradoras, financiadoras e entidades vinculadas ao crédito, entre outros. Além disso, as formas de aplicação da prática também variam bastante. Vale ressaltar que embora a definição do tema seja clara, os critérios para a atuação em consonância com a sustentabilidade dentro do mercado financeiro depende de cada empresa.
Há diversas iniciativas em todo o mundo relacionadas ao tema, como, por exemplo, no esforço para ampliar as discussões em torno do mesmo, buscando promover uma melhor compreensão. Há, também, a criação de ações envolvendo o operacional das instituições do mercado financeiro, como é o caso de linhas de créditos, fundos e outros.
Para Sonia Favaretto, superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, finanças sustentáveis são uma prática que, no Brasil, de uma forma geral, já estão bem avançadas a sua compreensão e aplicação. “Um exemplo é o fundo de investimento Itaú DI Ecomudança”, conta Sonia. Esse fundo oferece a rentabilidade atrelada à variação da taxa de juros e reduz o impacto sobre as mudanças do clima do planeta.
Sonia explica que o Itaú, em parceria com organizações não-governamentais, destina 30% da taxa de administração do fundo para ações ambientais de redução da quantidade de CO2 e dióxido de carbono equivalente, principal fator responsável pelo aquecimento global.
Assim como o banco, Sérgio, presidente da Previ, conta que a instituição agrega critérios de responsabilidade socioambiental às suas Políticas e Diretrizes de Investimentos e desenvolve iniciativas com empresas participantes e empreendimentos imobiliários. Por exemplo, a elaboração do Código Previ de Melhores Práticas de Governança Corporativa; incentivos às empresas participantes a divulgarem suas práticas de RSA e de integrarem iniciativas de engajamento colaborativo como o Pacto Global e o Carbon Disclosure Project; inclusão de aspectos ambientais nos laudos de avaliação dos ativos imobiliários; e outros.
Outro exemplo brasileiro de iniciativa em finanças sustentáveis é o Fundo Brasil Sustentabilidade, do BNDES. Esse é o primeiro Fundo de Investimento em Participações do Brasil voltado exclusivamente para projetos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. O FBS tem participação da BNDESPAR, holding brasileira de propriedade do BNDES criada para administrar as participações do banco em diversas empresas, de R$ 100 milhões, limitada a uma parcela de 40% do valor total do Fundo. O patrimônio comprometido do Fundo ficará entre R$ 250 milhões e R$ 400 milhões. O fundo terá como gestor a Latour Capital do Brasil, empresa de investimentos independente classificada no processo seletivo realizado pelo Comitê de Mercado de Capitais do BNDES. A administração do Fundo ficará a cargo da BEM DTVM Ltda. e a Sustaincapital Ltda., empresa controlada pelo gestor, será responsável pela estruturação técnica dos projetos de MDL apoiados pelo FBS. Luzia Hirata, gestora da empresa KeyAssociados, explica que o Fundo tem prazo de duração de oito anos, prorrogável por até dois anos. O período de investimento é de quatro anos, podendo ser estendido por até um ano. “Essa iniciativa pioneira no país é mais uma demonstração do compromisso do BNDES com o desenvolvimento de projetos ambientalmente sustentáveis, contribuindo, ao mesmo tempo, para o fortalecimento do mercado de capitais e para maior conscientização dos investidores sobre a importância de preservação do meio ambiente”, destaca Luciano Coutinho, presidente do BNDES.
A política de investimento do Fundo Brasil Sustentabilidade tem como foco companhias com atividades associadas a projetos com potencial de geração de créditos de carbono no âmbito do MDL.
Para Luzia, nesse cenário o Brasil tem manifestado comprometimento e iniciativas muito interessantes. “A criação do ISE, do Lasff – Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis, do PRI e de fundos de investimentos sustentáveis constitui bons exemplos de iniciativas locais de fomento ao tema. Os bancos brasileiros, aliás, têm apresentado iniciativas fortes dentro desse contexto, como o Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e outros”, comenta Luzia.

Desafios – Mesmo com todas as discussões promovidas em encontros acerca do tema, criação e participação de grupos, definição de diretrizes e lançamentos de produtos sustentáveis pelas instituições financeiras, os especialistas acreditam que o grande desafio ainda é a conscientização dos agentes do mercado financeiro em relação à sustentabilidade. “Ainda é preciso que os atores do setor das finanças saibam da importância de inserir essa prática em suas operações, fazê-los acreditar nas vantagens e nos benefícios para o seu negócio”, enfatiza Luzia.
Segundo os especialistas, ainda há um esforço grande para fazer com que esse público compreenda que o mundo mudou, que há uma nova realidade e isso precisa ser levado em conta na hora de fazer negócio, apesar das diversas iniciativas já efetivadas pelo setor. “O que falta é uma mudança de cultura dos principais envolvidos do mercado financeiro. Fazer com que o setor financeiro enxergue o real espaço do desenvolvimento sustentável na atualidade”, avalia Costa, do BNDES.
Além disso, também é necessária a produção de conhecimento e métricas para inserção das questões de sustentabilidade nas avaliações de investimentos. Para o presidente da Previ, como este tema é relativamente recente no mundo financeiro, sobretudo no ambiente dos investidores institucionais, ainda há muito conhecimento a ser produzido para que as decisões e práticas consequentes possam ser avaliadas e validadas pelas diversas partes envolvidas. “Esta validação é fundamental para que todos os agentes econômicos adotem práticas que, respeitando as suas legítimas finalidades e responsabilidades, busquem permanentemente melhores resultados sociais e menores impactos ambientais decorrentes de suas atividades”, finaliza Sérgio, da Previ.

BNDES criou Área de Meio Ambiente

O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou no início de 2009 a criação de uma Área de Meio Ambiente. A decisão da cúpula do banco de ter uma área para cuidar do meio ambiente foi tomada levando em conta a necessidade de fortalecer a consciência ambiental nas empresas e trabalhar junto com o governo federal para combater as mudanças climáticas e o desmatamento. De acordo com Márcio Costa, a idéia do BNDES é ter a sustentabilidade ambiental como uma das prioridades este ano, levando a área a crescer bem rapidamente.
Costa esclarece que a direção do banco reconhece a necessidade de trabalhar cada vez mais a questão ambiental, pois ela está tomando uma dimensão grande, dado o agravamento do aquecimento global e a importância do Brasil para a preservação do ecossistema planetário, que tem a Amazônia como uma das peças de resistência. “A Área de Meio Ambiente vai gerir o Fundo da Amazônia, entre outras competências, como o Proesco – Programa de Conservação de Energia e um programa especial de preservação da Mata Atlântica, que se chamará Iniciativa BNDES/Mata Atlântica”, afirma Costa.
Itaú lançou Prêmio de Finanças Sustentáveis

O Prêmio Itaú de Finanças Sustentáveis é mais uma das ações do Itaú, cujo objetivo é investir no potencial de grandes idéias, estimulando a produção de trabalhos acadêmicos e matérias jornalísticas sobre finanças sustentáveis. O tema engloba a inserção de aspectos sociais e ambientais nas atividades financeiras, seja através de financiamento, investimento e seguros, além de qualquer outra atividade que esteja ligada diretamente à oferta dos produtos financeiros.
O Prêmio é destinado a jornalistas, estudantes e professores que tenham trabalhos publicados relacionados ao tema finanças sustentáveis e é dividido em duas categorias: Trabalhos Acadêmicos e Trabalhos Jornalísticos. A primeira categoria engloba as modalidades: teses de mestrado, doutorado ou pós-graduação lato sensu, defendidas pelos respectivos autores e aprovadas pelas bancas examinadoras. A segunda categoria é destinada às matérias jornalísticas publicadas em mídias impressas, especificamente jornais e revistas. As modalidades são: artigos e ensaios ou reportagens em geral publicados em jornal ou revista sediados no Brasil. Sonia Favaretto, do Itaú Unibanco, explica que o objetivo é estimular a compreensão e aplicação do tema através de jornalistas e acadêmicos, uma vez que são formadores de opinião. “Os projetos, para serem selecionados, devem ter um foco muito claro em finanças sustentáveis. Entre os critérios para seleção, os principais são: clareza, objetividade, riqueza de dados e contribuição ao tema”, conta Sonia. Mais informações no site: http://www.itaufinancassustentaveis.com.br

Linha do tempo

As ações aqui mostradas são apenas exemplos do que vem sendo realizado no Brasil neste novo milênio. Há muitas outras iniciativas envolvendo o tema.

2009
Febraban lança Protocolo Verde para os bancos privados, com adesão inicial dos bancos Bradesco, Cacique, Citibank, HSBC, Itaú Unibanco, Safra e Santander Brasil – Real
Banco Central do Brasil cria área de responsabilidade socioambiental

2008
Bancos públicos federais brasileiros lançam versão revisada do Protocolo Verde
Serasa lança o produto Relatório de Responsabilidade Social, que incorpora questões sociais na avaliação de risco de crédito
Unibanco Asset Management e Banco Real Asset Management aderem ao PRI
Banco Unibanco obtém linha de crédito inédita da IFC para financiamento de projetos nas áreas de energia renovável, eficiência energética e construção sustentável
BNDES cria o Fundo Brasil Sustentabilidade, primeiro fundo de investimento do país voltado para o desenvolvimento de projetos ambientais
Banco Itaú lança política de crédito com classificação do risco socioambiental dos clientes corporativos

2007
Banco Bradesco anuncia o lançamento de produtos com foco socioambiental que irão gerar recursos financeiros para a Fundação Amazônia Sustentável
BM&F – Bolsa de Mercadorias & Futuros realiza primeiro leilão público de créditos do carbono do mundo
IFC e FGVCes lançam o Lasff – Fórum Latino-Americano sobre Finanças Sustentáveis
Caixa Econômica Federal e Banco Banif lançam fundo Caixa Ambiental, primeiro fundo com foco em projetos do setor de saneamento básico e meio ambiente
Banco Unibanco e Caixa Econômica Federal lançam fundos atrelados ao ISE

2006
Banco Bradesco é incluído no Dow Jones Sustainability Index
Bancos privados lançam nova versão dos Princípios do Equador, com ratificação dos bancos brasileiros
Bancos HSBC, Bradesco e Safra lançam fundos atrelados ao ISE
Banco Abn Amro Real lança fundo de investimento em infraestrutura com sistema de gestão ambiental – Fundo InfraBrasil
Ocorre o lançamento do PRI, com adesão pioneira do fundo de pensão Previ

2005
Banco do Brasil adere aos Princípios do Equador e adota critérios socioambientais no financiamento de projetos não enquadrados nos Princípios do Equador
Bovespa lança o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial
Fundo de pensão Petros adota critérios socioambientais para seleção da carteira de ações

2004
Bancos Unibanco, Itaú e Bradesco aderem aos Princípios do Equador
Seguradora Unibanco AIG lança seguro ambiental
Banco Itaú lança fundo Excelência Social
Banco HSBC lança política para o setor florestal
Banco ABN Amro lança política para o setor de mineração e metalurgia

2003
Dez bancos internacionais lançam os Princípios do Equador
Organizações da sociedade civil lançam a Declaração de Collevecchio, 1ª declaração das ONGs sobre o papel do setor financeiro e a sustentabilidade
Banco do Brasil lança a estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável, que visa a práticas de apoio a atividades produtivas de forma sustentável

2002
Banco ABN Amro Real adota política de riscos socioambientais

2001
Banco ABN Amro Real lança Fundo Ethical

2000
Campanhas internacionais da sociedade civil sobre projetos financiados por bancos privados ganham maior visibilidade.

FONTE: http://www.meioambienteindustrial.com.br/


*O conteúdo, opiniões e informações abordadas nos artigos online são de responsabilidade de cada autor.



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